segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Velas e Defuntos

            Fim de semana passado fui agraciado com um convite para uma degustação de vinhos onde, segundo o anfitrião, algumas garrafas de bons vinhos seriam desarolhadas.

          Convite aceito, comunico a patroa e começam os preparativos-padrão-de-três-etapas-para-noites-de-jantar:
1 - Seguro a onda no almoço do sábado,
2 - Abro mão do meu remedinho pra dor que me dá a sensação de estar chupando um prego enferrujado enquanto o mesmo faz efeito.
3 - e, por fim, ajustamos os horários de sono das crianças.

         As crianças, ao notarem que os ajustes de horário seriam pra que eles dormissem assim que chegassem  e não pra que dormissem depois do jantar, impedindo-os assim, de curtir uma festinha, resolveram se rebelar e lançaram mão de vários artifícios para tentar boicotar a noitada.
               A batalha foi árdua.
              Mas eis que a patroa tem a brilhante idéia de acionar a Dona Babá que gentilmente cedeu às nossas súplicas e veio assistir ao sono do Mini Patrão e da Mini Patroa.
 Não sem antes, claro, determinar uma condição: "Deixa a tv ligada na Globo!"

             Condição prontamente atendida, rumamos para o rendezvous.
             Chegamos atrasados e perdemos o amigo Nicolas Catena Zapata.
             Não me abalo. Fito o decanter e vejo que uma garrafa de Seña da Viña Seña do Vale do Aconcágua lá jazia.
             Momento de reflexão entre mim e a Patroa.
            Entreolhávamos e ríamos sozinhos. Há dois anos não sentávamos em volta de uma mesa para curtir os amigos sem nos preocuparmos com a Mini Patroa escalando a estante e com o Mini Patrão dormindo no carrinho ao lado da mesa regada a gargalhadas de bom som.

Taças servidas, brindes erguidos.

           Quiches, salada de mini rúcula, pappardelle ao ragu de costela, rosbife ao molho forravam a pança e pavimentavam a beberrança.
Claro que sempre tem gente que não pavimenta tão bem as vias.... claro, também, que são sempre os mesmos....

Mas enfim....
Considerações sobre cada uma das garrafas entornadas, reservo-me a aplaudir de pé todas as experimentadas e a escolher a minha predileta. E só. 
"Perlage, bouchonnée, bouquet, ...", é pra sair da boca de quem sabe o que está falando.
Bebi, gostei e escolhi a favorita: Almaviva.

- Consideração mais acertada e relevante da noite - feita pelo Enólogo-Chef: "... é a nata da América do Sul."
E por "a nata da America do Sul" entenda: são os vinhos, não os convivas.... afinal, a qualidade da vela é, geralmente, inversamente proporcional às qualidades do defunto.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Negócio da China

Dia desses estive em Shanghai a convite de um velho amigo que pra lá se mudou em 1998 pra aproveitar uma oportunidade de negócios: Comprar dentes de ouro de funerárias locais e envia-los ao ocidente para comercialização regular. Negócio simples e bastante eficiente. Não envolve sequer alfândega: ele  compra do Sr. Lee, proprietário da funerária, manda tudo pelo correio pra um amigo em São Paulo que tem uma sala de 1,5 metros quadrados na Barão de Paranapiacaba que derrete tudo e vende para o vizinho de loja que por sua vez faz alianças, brincos e afins... Interessantíssimo o fato de que alianças de ouro amarelo possam ter  relação com o oriente. Segundo ele o Sr. Lee só fornece ouro amarelo..
 Genial o esquema!
Cada vez fico mais maravilhado com as modalidades de negócios envolvendo os sábios orientais. 
Só não ficou claro como as funerárias conseguem a mercadoria.... Ele também não soube explicar e desconversou....
Mas enfim....
Não vim aqui pra falar de negócios....
Vim pra falar da comida dos amigos d'oriente.


Encontrei um restaurante que por motivos de higiene foi o meu selecionado pra fazer a primeira refeição.
Veja que aqui neste estabelecimento os funcionários são altamente instruídos e motivados a lavar as mãos.
Justíssima escolha.




Estava curioso para experimentar a cerveja chinesa.
E assim fez-se o pedido.
Servida quase quente provo e aprovo.
Um primor de cerveja.
É de um amarelo pálido quase incolor, quase inodora, quase insípida.
A maestria do mestre cervejeiro em reproduzir água em forma de cerveja faz-se óbvia.
Um gênio da alquimia até então dominada somente por monges trapistas, cervejeiros alemães e cervejeiros belgas.
Palmas para TsingTao Beer.

Brincadeiras a parte vamos ao que interessa: 

Entrada Nº 1

Pés de galinha marinados em Shaohsing.
Apesar de adorar a iguaria, e de ter me surpreendido com o capricho do chef em retirar as unhas dos ciscantes, coisa incomum entre os orientais, nesse caso ela não agradou. Duro, sem sal e sem graça.
Mas palmas para o pedicuro!

Entrada Nº 2

Gyosa de Porco

Sem sombra de dúvida o melhor já experimentado até hoje. Extremamente crocante por baixo, extremamente macio por cima, com um recheio que derretia na boca. O teor de gordura do recheio devia girar em torno do 72%. Alto mas ainda dentro dos padrões da culinária local.
ESPETACULAR.

PRINCIPAL

Sweet Sour Spicy Pork Chops
A Foto, decididamente,  não faz jus ao prato.
Ridículo de bom.
Um corte suíno de segunda, cheio de ossos assimétricos e pontiagudos que demandam mais trabalho pra comer do que tilápia.
Olhei para os lados pra me certificar de que ninguém me conhecia, e agarrei pedaço por pedaço a mão.

Esse é o tipo de prato que demanda paciência  e técnica para comer e preparar.
Marinado,
Assado,
Empanado depois de assado,
Refrito depois de empanado,
e finalmente incorporado ao molho depois de refrito.
O danado do porco dá tanto trabalho de fazer que o cozinheiro não tem mais forças nem pra por uma salsinha pra enfeitar o prato pra foto.

SOBREMESA

A CONTA













Depois de comer comida pra dois sozinho achei melhor pular a sobremesa.
Depois de me lembrar da cerveja achei melhor pular  o café.

Pedi a conta, conferi criteriosamente e paguei.



Abri o biscoito da sorte e tirei a sorte grande

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Em casa em Nova Iorque

O Barreiro diplomata não veio sozinho. Vieram também outros Barreiros que serviriam de presente praquela irmã de coração que há um bom tempo não via.
Presente fácil de escolher.
Não é de hoje que ela e o marido nutrem grande apreço pelo amigo Barreiro.
Mas pra ganhar o presente, a condição era que teria que vir me buscar no hotel, me levar pra conhecer Las Vegas, o Mount Rushmore, o Pike Place Fish, a torre Eiffel e  me pagar uma janta em um restaurante de comida Cajun-Creole, típica do sul.
Relevei e acordamos em fazer uma leve alteração nas condições e ficou definido que me levar ao Woodbury Common e ao restaurante típico estava de bom tamanho.
E foi no The Delta Grill que todos nos reunimos. Agora com as crianças e o cunhado também...
E foi graças à pequena Anna que provei pela primeira vez a Root Beer, uma cerveja sem álcool  feita da raiz de sassafraz.
Cerveja de criança.
Quando a Mini patroa fizer 2 anos vou encomendar uma caixa....  e vou tomar sozinho. Com Vódega...
Não. Não abri mão da cerveja de adulto. Fui de cerveja de torneira com álcool.
Comemos, também....






 
Crawfish à dorê .... um tipo de lagostim




Empanado de Peixe defumado sobre molho picante


 

Jambalaya - Uma espécie de Paella cheia de pimenta e personalidade.

 



Camarão com Arroi. 





Palmas para New Orleans !!

E assim foi.... 
...de barriga cheia e espírito cheio, despedimo-nos.... 
Só me resta esperar o reencontro.... todos juntos. 
Encontro regado a root beer,  risadas e saudades que nunca acabam.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

COMUNICADO AOS DOADORES


      É fato que os aniversariantes carregam fama de contumazes bebedores de leite,  diante disso fez-se necessário auditar com a ajuda da PricewaterhouseCoopers se as doações foram efetivamente entregues às instituições ou se, deliberadamente, foram desviadas para o consumo próprio.
     PwCoopers relata que  TODAS as caixas gentilmente doadas pelos convivas foram devidamente entregues às seguintes instituições e divididas da seguinte maneira:

Clínica Sayão
OSAF - Obra Salesiana de Apoio Fraterno

Clínica Sayão:  60 Caixas - 720 Litros
                Osaf:  22 Caixas - 264 Litros
   Totalizando:  82 Caixas - 984 Litros

 A auditora PwCoopers relata também, para fins de elucidação, que para produzir tamanho volume de leite foram necessários:

- 39 Vacas/dia
-1,2 toneladas de capim.
- 280 Kg de Ração e
- 3.900 Litros de Água.

Portanto amigos, estejam certos de que o Árduo Trabalho desse Monte de vacas, Vossa Imensa Gentileza, e a Louvável Iniciatiava desses dois Irmãos  fizeram a alegria de centenas de crianças e velhinhos necessitados.

PALMAS PARA TODOS !!

    Apesar da lisura de todo o processo, levantou-se a dúvida sobre qual critério aplicado pra se definir o quanto cada uma das instituições receberia. 
    Aferiu-se considerável vantagem da Clínica Sanatório Sayão sobre a Obra das Irmãs do INSA. 
    A auditora PWC não conseguiu estabelecer vínculo ou parcialidade óbvia dos aniversariantes com a clínica - Não até o presente momento.


Aguardamos posição.







segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sr. Barreiro no Itamaraty

Nova Iorque é famosa pelas suas redondas. Interessante é que como podem ver nem toda pizza em NY é redonda. ... Essa tal de Grandma´s Pizza é quadrada.... "Quadrada e Spectacular", diria minha avó.

Mas vamos pelo começo.... Não fui a nenhuma pizzaria pra comer pizza. Nem a nenhuma floricultura, como alguns devem estar imaginando. Seguindo os critérios ecoorgânicos a que havia me submetido tive a gama de opções bastante restringida e me sobrou somente a Patzeria Perfect Pizza situada a meia quadra doTimes Square. (Eles utilizam embalagens recicláveis e juram só usar manjericão e tomate cultivados sem agrotóxico)

Não é exatamente uma pizzaria. Não nos moldes a que estamos acostumados.... não tem mesas nem cadeiras...Nem forno a Lenha. Você entra e disputa com outros clientes um espaço defronte ao balcão de 1 metro e meio sobre o qual repousam pré assadas as maravilhas da casa. Isso mesmo!!! É quinem nos Frango Assado da vida....Pizza de Vitrine.Você escolhe, eles enfiam no forno elétrico por mais alguns segundos e você vai comer em algum lugar. Mas não se deixem enganar.... É a melhor pizza que já comi. Claro que nem todos  concordam, mas tem uma horda de foodies que concordam e inundam o Zagat, o Facebook, o Yelp  e o TripAdvisor com comentários do tipo: Leia aqui e aqui

Agora....
O mais observador deve estar se perguntando..... "que que o Velho Barreiro tá fazendo na foto aí de cima?!"
Eu respondo: O Velho Barreiro é diplomata. Ele representa de maneira espetacular o melhor da simpatia e cordialidade do brasileiro.
Funciona assim.... Você senta no bar do hotel pra finalizar o seu dia com uma, duas, três,ou quatro doses do seu drinque favorito. Nesse meio tempo o seu graaande amigo Barman já fez as perguntas básicas e vc já as respondeu na seguinte ordem: .... (sou) do Brasil....  Não. Não é mais o Lula. Agora é a Dilma.... Não, não trouxe a camisa da seleção. já não serve mais.... Sim, meu carro é movido a álcool e a gasolina.
Tendo já feito amizade com o barman você fala pra ele: Não fecha. Já volto.
Você sobe pra buscar o Velho amigo Barreiro.
Desce e com toda a simpatia brasileira você diz: "Reparei que vocês não tem uma cachaça na prateleira do bar.... Fica com essa de presente"
Claro que de imediato você pede pra ele abrir e te fazer uma caipirinha com ela pra provar que você não tem planos de envenenar metade do bar com o seu amigo Barreiro.
Na hora de ir embora você põe uma nota de US$ 10 no balcão e pede a notinha pra assinar .
E ele emenda: 
"Relax... It is on the house!"
Bingo!


1 Manhattan            - US$ 13,00
2 Jack Daniels         - US$ 18,00
2 S.Pellegrino          - US$ 12,00
              Total             - US$ 43,00 + Tax
1 Amigo Barreiro   - US$   3,00
   Gorjeta                   - US$ 10,00 
Economia Total      - US$ 30,00 ou R$ 50,00



PS. A nota de US$ 10 é o mínimo pra esse movimento surtir efeito.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nova Iorque - Day 1

Dia desses fui a Nova Iorque atender a uma palestra a respeito do impacto sobre a camada de ozônio causado pelas emissões de gás carbônico de rebanhos de Iaques na Mongólia.
Apesar da extensa discussão sobre o tema a visita foi bastante breve mas, ainda assim, tive tempo de, logicamente, me alimentar.

Imbuído do espírito eco-consciente proporcionado pela horda de ecoamigos que lá fiz, resolvi determinar um critério especial para escolher as minhas refeições: "ALIMENTOS ORGÂNICOS"
Essa palavra não me saía da cabeça e então, nada mais natural do que optar por somente orgânicos. Na impossibilidade de encontrar os tais alimentos, adotaria no entanto a sugestão de Net Khai, um monge budista de renome internacional, que aproveitava o momento de escassez de arroz orgânico para jejuar.

E assim foi.
Lancei mão de todas as ferramentas disponíveis para conseguir seguir a risca a minha determinação de não seguir a sugestão de Mestre Khai.
Usei Google, obviamente, Concierge também, embora sem sucesso, mas quem me deu realmente boas dicas foi a camareira Cambojana Rochom P'ngieng que me indicou para um desjejum vegetariano o Alan´s Falafel & more, localizado, segundo ela, defronte ao World Trade Center. Levou um certo tempo até que eu encontrasse o carrinho do Alan pois por mais que eu procurasse a referência dada pela Srta. P'ngieng não pude encontrar. Mas valeu a procura.
E foi o próprio Alan, um simpatissíssimo e solícito egípcio cujo nome verdadeiro não consegui entender, que me sugeriu o prato da casa: Falafel Sandwich.

Um sanduíche em forma de cone envolto em uma providencial camada de papel alumínio que impedia que o snack se desmontasse. Bastante engenhoso.
Era um Pão Pita bastante macio, recheado com cinco Falafels - um bolinho de grão de bico frito na hora com casca crocante e interior macio - e alface orgânica cobertos com dois deliciosos molhos bastante picantes: um a base de leite e outro a base de tomate. SENSACIONAL!!!!!.



E foi o Sr. de boné colorido e cavanhaque que me explicou o porque da dificuldade de encontrar a referência fornecida pela Srta. P'ngieng. Ele vive por ali há aproximadamente 20 anos, morador de Marquises & Shelters (deve ser um condominio típico novaiorquino, pelo que entendi) filho de Tanzanianos explica que um maníaco Árabe e uma dupla de ex presidentes acéfalos resolveram demolir alguns prédios para aquecer a economia agitando o gigantesco mercado da construção civil e bélico.

Experiência 1 terminada com sucesso quase absoluto.  Só faltou a birra pra acompanhar e transformar o café da manhã em jantar de gala. Tio Sam não deixa vender birra na rua. Cretino.

domingo, 24 de abril de 2011

Santa Ignorância

Ignorância, aqui, no sentido de falta de conhecimento sobre algo específico.
Quantas vezes já não foi dito, ou pelo menos pensado: "se eu soubesse..." ? Pois então.... é dessa ignorância que estou falando.
Pois bem... num desses garimpos de corredores exíguos de mercados sino-coreanos na capitar enchi uma cesta com alguns velhos conhecidos, como o pé de galinha desossado e alguns outros nobres desconhecidos como o pote da foto.

Não só era desconhecido como também ignorava do que se tratava, uma vez que apesar da minha fluência em mandarin adquirida ao longo dos anos em longas conversas de bar com sábios anciãos monodentes, não sei LER em chinês.
Mai então.... é sempre a mesma coisa.... Eu garimpo as gôndolas, lubrifico o mandarim com o patrão do mercado, abro o saquinho com a iguaria escolhida de acordo com o clima, neste caso, garoa com vento pediram sustância fornecida numa espécia de barrinha de cereais de porco com gosto de torresmo, passo no buteco mais próximo e compro uma birra nacional em lata pra acompanhar. Nos dias seguintes vão-se consumindo os velhos conhecidos.... e os nobres desconhecidos vão se acumulando na despensa esperando o momento oportuno pra experimentá-los.
Conforme vão surgindo as oportunidades a gente vai testando ... alguns entram pra lista de compras, outros são naturalmente esquecidos e outros entram para outra lista:  a lista dos  "Ilustres Bizarros".
Dentre algumas comidas que dizia que nunca  experimentaria estava o famigerado Tofu Fermentado, vulgarmente conhecido como Tofu Fedorento. Facilmente encontrado em mercados de rua asiáticos, lindamente decorados por uma espessa penugem de bolor.
Mas eis que a ignorância, sempre à espreita, me vitima novamente. Não imaginava que esse bicho pudesse ser enlatado, muito menos que fosse possível encontra-lo no Brasil. Santa Ignorância.
Fui me dar conta do que estava comendo a hora que comentei com a patroa: "... uma delícia!.... lembra gorgonzola." ... "Gorgonzola?!"
Aí foi só ligar os pontos.... Tofu, gorgonzola, fungos, ideogramas indescifráveis, sorriso cínico do Sr. Coréia...
Mas uma coisa eu garanto: o Ovo de Mil Anos eu não como!!! Nem que ele venha fantasiado de Filé a parmegiana

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Dalva & Dito


                                                 
        Há muito é dito que uma tal de Dalva junto com seu companheiro Dito têm promovido almoços e jantas ditos tipicamente brasileiros com sucesso em São Paulo.



Pois bem....

Foi em uma comemoração pós-batizado que surgiu a oportunidade de conhecer o casal.
Castorzinho já batizado em cerimônia sem cerimônia, rumamos para a casa da Dna. Dalva e do Sr. Expedito.


Agradável surpresa: somos recebidos e encaminhados para uma sala viaipí em um andar inferior da casa,  junto a um sem-fim de garrafas de vinho e garrafas de cachaça.

Mesa central, no centro da sala, iluminada por 178 luminárias diferentes, porém iguais as da casa da sua avó, uma meia dúzia de mesas satélites, um balcão de bar de uns 6 metros e uma portinhola com janela de vidro através da qual a Mini Patroa assistia a cozinha de apoio, completam o ambiente onde passaríamos várias boas horas.
Sala devidamente recheada de gente boa começa a esbórnia: É-nos servido intrigante refresco levemente alcoólico de Maracujá com Limão Cravo & Priprioca.  - o emprego da priprioca, no entanto gerou certa controvérsia entre alguns comensais que questionaram se o homendobar não utilizava outro ingrediente muito mais facilmente encontrado no mercado.
Pastéizinhos recheados de comida baiana preveniam uma catástrofe iminente. 
Ânimos devidamente lubrificados, bate papos com velhos amigos postos em dia, sentamos à mesa....

Cardápio na mão e a dúvida estampada entre as minhas sobrancelhas desperta a pena no moço da comanda, que fitando o meu ódio e desespero, como num sonho emenda: "Pode pedir um mix de tudo. Você só precisa escolher a salada." 
Penso em tom desdenhoso meio que sorrindo e me calo: "Salada..."

.... Escondidinho de carne seca com pimenta-bode-bicuda devorado, começa o desfile... deitam à mesa: Batatas, Couve refogada, farofa de banana, feijão preto e arroz branco.
Um dos primeiros pratos servidos foi um meio galeto de televisão (sem foto) para a tia avó do recém batizado que tenta, discretamente  trocar o alegórico ciscante com o marido. Fracasso óbvio considerando que a discreta Sra. Tia Avó sentava ao lado do também alegórico e nada discreto Pai do Castorzinho.
Rubores já alvejados, segue o serviço... Palmas para tudo, com ovações para o Porco com Abacaxi.

Só não provei o famigerado galeto - é a deixa pra próxima visita.
Apesar do grave desfalque na cozinha promovido pela madrinha do infante a comilança veio primorosa.
















Como nada é perfeito, nem mesmo nas mais distintas casas, ponto negativo e imperdoável para o fato de que o Jegue Daniel´s era só enfeite.

Lamento não poder falar sobre a sobremesa. Estou de dieta.
 Só posso dizer que o tal do Creme com Chocolate Brisa  estava um espetáculo.

E num clima de almoço de domingo na casa da vó encerramos o sábado.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

PAUSA PARA DIETA




ESTOU DE DIETA E RESERVO-ME O DIREITO DE OMITIR COMENTÁRIOS E PARECERES SOBRE BRÓCOLIS, ALFACES E TOFUS !



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Porco no Rolete

Adoro porco.
Nada se compara, em se tratando de comida, a um generoso naco de carne suína entremeada por razoável porção de gordura. Seja de que parte for.... Costela, Pernil, Joelho...
No entanto, o tal do Porconorrolete nunca teve a mim como seu devoto.

Nunca vi muito sentido além do mise-en-scène... nada além do impacto dramático de ver o bicho inteiro rodando e suando.
   Foto fraudulenta copiada descaradamente no Google Images. Aguardando fotos originais.

Pois bem ....
Trombei com um desses esses dias...
Foi aí que entendi o espírito da coisa.
Não se trata de "O que vai comer". Trata-se de porque vai comer, com quem vai comer, em que circunstâncias vai comer, como vai comer....

Vais comer porque é festa.... vais comer com quem gostas, vais comer rindo, com os cotovelos na mesa....  
É evento.
Foi assim... .Um evento que viu-se de tudo. Teve quem ficou plantado ao lado da geladeira de cerveja, teve quem não descolou o umbigo do balcão de caipirinhas, teve quem arriscou pescar, teve quem não saiu do lado da costela de ripa que insistia em não acabar nunca. Teve até mané que ficou esperando uma anunciada "Paca" que, claro, não foi servida.

Não se roda um porco pra meia dúzia.... É festa. É Festa de porte. Com "F"  maiúsculo.
E foi festa das melhores..... Evento.

Mas o show não foi do porco.
O show foi do dono do Show. Foi do aniversariante F., Filho de C&F

O sempre ShowMan F. rouba a cena. Sempre....
Do alto dos seus 2 anos dialoga, questiona, se articula, arrebanha as 1.758 pessoas presentes pra cantar os "Parabéns".... Dá show.

O Porco não é páreo pra ele!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Drinque Campineiro

Premiado no "VII International Campinas Bartender Contest" o drinque que ilustra a foto foi apresentado pelo amigo conterrâneo do concurso e agradou de cara. Mas não sem antes gerar piadas manjadas de cunho sócio-geográfico.

Mas enfim....
Tentou-se de todas as maneiras desvendar os ingredientes do apelidado Coadinho... "Pinga ou vódega?" ... "maracujá, limão e groselha?" .... "Não... não tem limão... " "morango, tem!!"... "lógico que tem limão, idiota!"
Teve até sabidão que com propriedade de connoiseur, mesmo antes de experimentar, chuta: "Tem Campari!"
Ao provar o drinque percebe que falou a maior besteira do dia. Não contente em FALAR a maior besteira do dia resolve agir e FAZER a maior besteira do dia: Completar um copo do drinque com uma bela dose de adivinhem:  Campari.
Sem mais morango disponível, foi-se pro ralo o último Coadinho disponível.
Tamanha foi a repercussão que precisei organizar um concurso de fotos para ilustrar o post.
Venceu a abaixo publicada. Profissionalmente capturada pelo nosso colaborador Joseph A. com sua recém adquirida Nikon D300.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Corrente Pró-Hemmer

Não é só de carne e queijo que se faz um ótimo CheeseBurger. 
Se sobrepuseres uma fatia de queijo em um hamburguer tens um Cheese Burger, certo ? Tecnicamente, sim. Mas...  e o pão? ...e o catchup? ...e a mostarda? 
Ahhhhhh a mostarda!!!! 
Santa mostarda.... há quem torça pra que o bacalhau não rareie, há quem torça pra que o esturjão não se extingua.... Mas outra coisa é certa...tem gente que torce pra que a empresa Hemmer jamais feche suas portas, afinal, "mostarda tem que ser Hemmer!!". 
É fato: a torcida é quase solitária, mas é tão forte que comove e mobiliza a todos numa forte corrente "Pró-Hemmer". Em casa o apoio é total. Agora só entra Hemmer. Picles de pepino é Hemmer, picles de cebolinha é hemmer, champignon, aspargo, arroz, pão de forma, macarrão... tudo é Hemmer.
Mas não é só de mostarda que se faz um hamburguer. Tem plágio também. E dois plágios se destacaram na noite: A maionese de cebolas caramelizadas do Deo Optimo Maximo Alex Atala e o Hamburger com Pimenta do  Hamburgueria Nacional (franco favorito da esposa do Mr. Hemmer), ambos magistralmente reproduzidos pelo dono da barriga que, também magistralmente, ilustra a foto.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Aniversário da Lagosta

Há exatos doze meses prometi aqui, fazer uma lagosta.
Àquela época o intuito era aproveitar a baixa dos preços do cobiçado crustáceo. Procurei na peixaria da cidade, no açougue da cidade, na biblioteca da cidade e nada de encontrar um exemplar pra preparar, comer e postar aqui.
Mas me lembrei que um amigo de garficopo estava em Salvador, onde deduzi ter farta oferta do bicho.
Certo de que a empreitada de pedir um prato de Lagosta, fotografá-lo e comê-lo não ia incomodá-lo, liguei e fiz o pedido.
Pedido anotado e foto tirada e lagosta devorada. Recebo a foto e gentilmente engaveto a mesma. Por exatos doze meses a Lagosta ficou na geladeira.... Sob protestos intensos e frequentes aguentei a ladaínha: "Cadê a Lagosta?!!!"  ..."e a lagosta?!" ....  "mas e a lagosta?!!!"
Sucumbo então à ininterrupta, porém justificada, matraca e apresento, finalmente, a todos a lagosta mais barata que já não comi.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Carne, Carvão, Vinho & Tylenol

Nunca me dei bem fazendo churrasco.
A tragédia é iminente. Só me dou bem com churrasco na qualidade de comensal.
O que também é uma  tragédia.
São três dias pra me recuperar da orgia do garfo e faca, afinal churrasco bom é churrasco que nada sobra. E eu faço de tudo pra que o churrasco de que participo seja bom, manja?
Enfim...
Acontece que ganhei uma churrasqueira...
Saí do escritório e fui direto pra padaria comprar treiquilo de Contra-filé firula com nome diferente.
Munido dos bifes de Chorizo comecei os trabalhos. Corte argentino pede tema argentino e argentino pede vinho no churrasco de inverno. Então fui de Tinto Chileno.


Era sexta feira e tinha a esperança de matar a saudade de fazer um jantar pra patroa que ultimamente não faz nada senão gravitar em torno da Mini Patroa.
Doce ilusão.
A Mini patroa sentindo o clima lançou mão de sua mais eficaz arma contra a intimidade matrimonial e armou o berreiro.
E a noite de sexta seguiu assim .... a Patroa de satélite neonatal e o marmita sozinho cuidando do vinho e do bife.
Mas logo surge a deixa e sentamos à mesa... Leite e Tylenol embalam o sono da pequena e o bife com tomate e cebola grelhada & Vinho lançam esperança sobre meu futuro como churrasqueiro amador.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Férias

        Cheguei à uma conclusão à pouco tempo: a de que todo blog tem no mínimo um trecho em que o fulano ou fulana que o escreve se desculpa pelo tanto tempo ausente.
Eis que chega a minha hora.
Já vi das mais estapafúrdias e esfarrapadas desculpas.
No entanto, reservo-me o direito de desculpar-me o escambau!
Tenho mais o que fazer.....

   Mai enfim....
Achei um negócio em casa outro dia que rende um post ...

Todo idiota que já pisou em solo sulino na qualidade de turista tem esse utensílio inútil perdido em alguma gaveta da cozinha.
Pois então.... Vamos dar uso pro canudo que eles chamam de bomba. 
Esse negócio de bomba com infusão de ervas não fica legal ... "Bomba" orna mais com Vódega.

E em clima de férias eis que surge o refresco alcoólico  "Vódega & Fruta-que-não-lembro-nome"

terça-feira, 30 de março de 2010

A Mangueira Rubayat

      Semanas antes do meu aniversário resolvemos antecipar a comemoração. A patroa tava nesse clima de aniversário... Eu, por outro lado, queria mais era aproveitar pra uma despedida-de-barriga.
Sendo assim, um brinde ao pãozinho no forno, um brinde à patroa que majestosamente carrega o forno e um brinde a mim. 
Escolhemos acertadamente o lugar pro mix de celebrações: Figueira Rubayat.
       Decididamente um lugar onde se comemorar. A tal da figueira, apesar de não dar figo nenhum, é realmente uma senhora figueira.... Indabem que não é A Mangueira Rubayat, ou O Coqueiro Rubayat.... iam rolar uns 3 óbitos por dia... 

Mai tá bão ...

        O ambiente é indiscutivelmente o diferencial do restaurante. Apesar das carnes, do couvert e dos acompanhamentos devorados serem bons, não passam disso. Bons.
Bem...  na verdade o appeal do meu prato pedido foi um pouco além do "Bom" e atingiu o nível "Espetacular" !! Fui de Bisteca de Brontossauro. Master-beef-sei-lá-o-que ... "Corte especial de rebanho próprio, blá blá blá"  Uma coisa absurda de grande.  A patroa foi na segura e mandou bem no carré de cordeiro. 
Ah... e descobri que ao contrário do imaginado, Arroz à biro biro tem que ser feito por santista.

Depois de tudo atacado a gente bem que tentou fazer uma horinha pra abrir espaço na  barriga e unir o último ao agradável atacando a mesa de sobremesa, mas não funcionou. A sobremesa ficou pro café da manhã.

Resumindo: Apesar da imponência das instalações, da hostess com cara de diretora de corporações multinacionais, do maitre com panca de dono e da conta salgada pra diabo, o lugar é até que informal.

Palmas para a árvore!!!


A Figueira Rubaiyat
Tel.: (11) 3087-1399
Email: figueira@rubaiyat.com.br

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Restaurantes Locais II

ROVIGO

Levamos 25 segundos para pedir o Couvert e as bebidas.
Adoro pedidas rápidas. Geralmente são acertadas...
Com o couvert  e as bebidas já na mesa é hora de fazer o reconhecimento de cardápio.

Levamos 178 minutos para escolher o prato. 
Adoro pedidas que levam uma eternidade. Geralmente são acertadas. 
A sensação de incerteza e insegurança diante da dúvida é algo que relaxa a gente...
Aos 127 minutos de análise minuciosa do rol de pratos decido o que quero, fecho o livro e brado em baixo tom pra Patroa: "Decidido".
Ela sorri e me pede pra ajudá-la a decidir entre os 17 pratos pré selecionados. Sorrio em retribuição e a ajudo nos próximos 59 minutos. E claro que ao ajudá-la eu mudo a minha pedida. Mudança boba... de Carne pra Massa. 
E pra comemorar, o Sr. Monteiro manda mais uma bebida pra cada um e uma dose extra de geléia de pimenta pra matar as focaccias do couvert. 
Nem dois minutos se passam e vejo entrando o casal de proprietários. "Não acredito" penso comigo. "Chegamos cedo demais".... Se a gente chegasse mais tarde a gente não ia perder tempo tentando achar a melhor pedida. A gente ia perder tempo conversando, bebendo e esperando eles pedirem...
Seria simples assim: "Igual ao deles, por favor, Monteiro".

Mai tá bão....


Enfim,       fui de Tortelloni de abóbora





A Patroa foi de Risotto de Carne Seca com Abóbora e Q.Coalho







Pratos na mesa, talheres na mão ... ataque com direito a investidas ao prato alheio.... e vem à cabeça: "Duvido que o Sr. E.M. e a Sra. C.M. pediriam melhor!".


Acerto duplo.  
Com certeza.

Serviço gentil, ambiente requintado e sem afetos, ar condicionado no verão e lareira no inverno, comida ótima e distância ínfima de casa garantem um programa perfeito.
                                       ...... Será que rola um cadeirão?

http://www.rovigoristorante.com.br 

Av. Maria Aparecida Muniz Michelin, 1335 -
Jd Piratininga - Araras, SP

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Peru de Natal


...Patroa escolhendo alguns presentes na livraria e eu escolhendo um livro de comida pra mim no corredor. Escolho um que me interessa. Cheio de fotos...
Mais vale um livro cheio de fotos sem receita do que um livro de receita sem foto.
Vou no leitor óptico de preço e descubro que meu apetite pelas comidas do livro é decididamente inversamente proporcional ao desejo de pagar aquilo pelo livro. Volto pro banquinho e decido então piratear pelo menos uma receita pra ceia de natal.
"Memória a postos" escolho o pernil de cordeiro.
Segue receita que com muita dificuldade consegui memorizar utilizando algumas técnicas mnemônicas avançadas:

1 Pernil de Cordeiro
2 Colheres de Manteiga
3 Dentes Alho
& Sal

Ainda no espírito pirataria opto em substituir o pernil pela paleta e sirvo com vagem de metro da horta do coroa.

Ei-la:



E pra quem interessar segue o site do dono da receita: Papa Paul Bocuse.


www.bocuse.fr

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Toda Quarta...


Não precisa confirmar.
É quarta feira? São mais de 19.30hs?
Se a resposta for sim e não ter havido terremoto, atentado terrorista ou algo do tipo, não precisa ligar pra ninguém pra saber se vai acontecer ou não.
É só chegar, ignorar a presença de todos, ir direto pra copa, escolher, diante da gigantesca variedade, o copo que mais te agrada, se dirigir ao recinto oficial, encher o copo em questão, esvaziá-lo imediatamente, se apresentar aos que talvez não conheça, cumprimentar os de sempre, abraçar os de quase nunca, e, por fim, fazer o que te levou a chácara do Z.M.: comer, beber e discutir filosofia.
Tem sido assim há mais de dez anos...
O público é heterogêneo e variável, sendo composto na maioria por indíviduos de presença semanal garantida e por uma minoria cuja frequência é flutuante.
Tem agrônomo, tem administrador, bibliotecário, roqueiro, empresário,  tem bon vivant, desempregado, vendedor de pipoca,  ... tem de tudo... mas com alguma coisa em comum... a tal da filosofia.
 Discute-se de tudo.
Conclui-se pouco, mas discute-se muito.


CARDÁPIO FIXO

Pecanha.
Linguiça
& Pão


VARIAÇÕES
Rodela de Pernil
Costelinha
Cebola assada
Salada & Vinagrete
Asa de frango...

BEBIDAS:

CERVEJA & CACHAÇA

Essa cachaça aqui é prima de primeiro grau do Barão.
Conseguida direto na fonte. Sem rótulo.
Sem rótulo é mais gostosa. E mais em conta, também.
É uma Fuzuê do Engenho Zurita
Essa é envelhecida. Geralmente vem da branca.
Mas a envelhecida surpreendeu na caipirinha.

Lamento não poder me desculpar com relação a qualidade questionável das fotos que ilustram esse post. Mas estaria sendo desagradável com o amigo que tão atenciosamente e pacientemente atendeu as minhas solicitações de tirá-las e enviá-las. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Restaurantes Locais I

Há alguns dias fui almoçar em um restaurante que desde sempre foi uma das melhores opções de almoço na minha aldeia. Restaurante do Coser (pronúncia: Cóser). Não fosse algumas peculiaridades do atendimento seria apenas um restaurante familiar de vários anos de serviço com comida simples e acertada. Seria só isso. Não que seja pouco. É bastante até, mas está longe de ser tudo. Difícil encontrar um lugar frequentado por tantas pessoas com preferências tão diversas com relação aos pratos servidos... fulano gosta do nhoque, ciclano da lasanha, o outro do Filet à Parmegiana, tem até quem eleja a berinjela do couvert como o predileto, enfim, se tantos gostam de tantos pratos é porque todos, de alguma maneira, são bons. Mas repito: a comida aqui não é tudo. O melhor do lugar é o atendimento surreal do chefão, Zé Coser.
      Algumas considerações devem ser feitas antes de entrar no restaurante.
Antes de tudo coloque a cabeça porta a dentro. Caso você o veja, dê um passo para trás e olhe o relógio. Caso seja tarde, respire fundo porque vai ser repreendido. Caso não seja tarde, considere se não é cedo demais, pois da mesma maneira irá tomar reprimenda.
Ainda na calçada, olhe pra trás e conte em quantas pessoas vocês estão, se passar de 8 ou 9 se prepare e prepare os que estejam estreando no lugar...."Vocês estão achando que isso aqui é refeitório ?!"
Considere também a ocupação do salão...  "Vocês não estão vendo que está lotado?! Por que vocês não vão pro McDonalds?!"...
 Divertidíssimo.
Tendo sobrevivido à recepção sente-se e surpreenda-se com a gentileza e educação da molecada jovem que atende a todos com diligência e atenção dignas de serviço escocês.

ATENÇÃO: Caso queira um ajuste no prato, como por exemplo, o molho do à Parmegiana separado do Filet, solicite em voz baixa para os garotos... longe do Zé. Há anos faço isso com sucesso, mas outro dia o filho dele estava na mesa com a gente e viu o molho separado do bife... ouvi um monte do Zé-Filho... imagine se fosse o Zé-Pai... Mamma mia!!

Minha pedida é quase sempre o Filet à Parmegiana com o molho servido à parte, mas eventualmente, quando atendido pelo Zé-Pai, movido pelo medo, peço uma Lasanha que tem uma massa incrivelmente fina...





Mas não se intimide.
É risada só...
Há quem diga que a inteligência de alguém possa ser medida, entre outras coisas, pelo nível de requinte de seu senso de humor... eis um gênio.
E a sincera gentileza nota-se  no tratamento que este dirige às crianças e aos idosos... já vi criança de colo sorrindo pra ele, meu finado avô sempre o adorou e minha avó de oitenta e tantos anos o venera.
Salve Zé.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Frutos do Cerrado

     Poucos dias atrás recebi um grupo de bons e velhos amigos para uma cervejinha pós-labore. Alguns vieram, comeram e beberam, outros não puderam vir e outro veio, apertou a campainha, chutou o portão, ligou nos celulares e não se fez escutar e foi embora. Pena. Não pude me desculpar pessoalmente ainda, embora a culpa seja da campainha ineficiente, do fogareiro barulhento, e claro, da operadora Claro que fornece cobertura no país inteiro menos nos poucos metros quadrados da redícula de casa.
Foi mal !
Mai tá bão...
Comemos, bebemos e demos algumas risadas conforme o propósito da reunião... mas não é da comida nem da bebida que vou falar.
É da sobremesa!
Sorvete de palito duma tal de Frutos do Cerrado
Já tinha provado uns 15 sabores, tendo reprovado uns 10, aprovado uns 3  e louvado uns 4 ou 5 sabores.... buriti, cajá, murici, araticum, gabiroba, taperebá, jaca, cajamanga, mugaba, mutamba, graviola, tamarindo, umbú ... mas estava esperando mais um ou dois idiotas pra me acompanharem nos sabores que haviam sobrado no congelador. Dentre eles, acreditem: JATOBÁ e COALHADA.

Impressões:
O de Coalhada, adivinhe: HORRÍVEL!
O de Jatobá, surpreendentemente DETESTÁVEL.
Mas no fim das contas, como há anos não acontecia, vale a pena dar um pulo na sorveteria...

Ps. Tem de limão, também.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pés pra que te quero

Sábado à tarde, sozinho, sem a patroa e sem fome na rua Galvão Bueno na Liberdade, decido sair do manjado circuito  China-Japão e vou pro "Setor Coréia". Mais underground, com mercados menores, mais escuros, mais exóticos... os sushis nas gôndolas refrigeradas são substituídos por pés de galinha, orelhas de porco e miúdos preparados das mais diversas formas. Porta estreita, segurança à paisana, tatuagens até o pescoço e aquela simpatia que só os sino-coreanos têm. Não espere ser benvindo e, ao perguntar a alguém sobre qualquer coisa não espere um português fluido, muito menos claro.
Mas então ...

Costumo ser uma mula diante de gôndolas com artigos do meu interesse. Empaco. Mas aqui foi demais. Acho que na seção de molhos, pós e pastas de pimentas gastei uns 25 minutos por metro linear de gôndola. Loucura. Tem molho de pimenta até pra mamadeira! Mas o que mais me surpreendeu foi o fato de  que quase a metade desses artigos você percebe que são "importação direta" (leia-se: contrabando) pois não tem aquela etiqueta branca com as informações em português, manja?  Fiquei de boca aberta... não imaginava que os coreanos e chineses fossem capazes disso. Fiquei desapontado. Nutria tamanha consideração por essa gente.
Mas enfim...
Artigos escolhidos, rumo para o caixa e sou atendido com a atenção e o siso típicos de um funcionário de repartição pública. Tento um "boa tarde" e nada... começamos a passar os produtos e de repente surge a comunicação entre o Sr. Coréia e mim... levo um susto com ele quase gritando com um sorriso na cara: "Bom !! Bom!! ... brasirero nom gosta, você gosta... bom, bom !" ... olho pra mão dele e ele abanando um pé de galinha temperado e cozido embalado a vácuo e então tudo fez-se claro... Coreano só gosta de brasileiro que gosta de pé de galinha. Veja só...ganhei um amigo coreano...ensinou receitas, técnicas de stir frying, ensinou como usar a pasta de alho com pimenta, como controlar o fogo, como "temperar" o aço da Wok que estava comprando...enfim... da próxima vez vou de orelha de porco com conserva de água-viva.... aposto que ganho sorriso, abraço e brinde!
Mai tá bão ...

Wok devidamente tratada, temperos a postos, fogão de alta pressão no último, dicas do Sr. Coréia na cabeça, pé de galinha de tira-gosto na barriga e o resultado foi esse Sei-lá-o-nome.



terça-feira, 29 de setembro de 2009

Assassinato do Barão




Há alguns dias providenciamos o, um dia já habitual, "Churrasco de 12 horas". Apesar de ter durado apenas umas 10 horas e meia resolvi considerá-lo  "Categoria 12 Horas" por diversos motivos, sendo o mais relevante a presença de alguns habituès fundadores do estilo que há muito não apareciam. É a velha estória.... a namorada se vai, a saudade dos amigos vem e eles do nada surgem.
E a surpresa da presença de uns nos lembra a infortúnia ausência de outros... e vem à cabeça o que se tornaria a  pièce de résistance do dia: O Barão. Gentilmente cedido ao anfitrião pelo queridíssimo ausente.
Surge a garrafa, e em uníssono ralham: "Pinga?!!!!"
Pinga, não. Cachaça.
Cachaça com Pedigree.
Reserva especial, garrafa numerada, safrada, envelhecida em cartolas de carvalho....
Prova um, prova outro.... elogiam... "é...é diferente, mesmo..."


Pois bem...

Foi com  o Barão que bebemos à saúde do convalescente e comemoramos a presença dos ressurgentes.
E entre um elogio e outro declaram a morte súbita:
"Mataram o Barão !!"

E pra quem se interessar segue o gancho:

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Azul Profundo

Azul Profundo.......
Mais um restaurante de nome duvidoso, concordo.
Acho que Gastronomia e Cinema andam de mãos dadas no Chile... só pode ser...
O restaurante do último post se apropriou descaradamente do nome de um filme que não assisti e nem faço questão de assistir.
Em um outro que fomos almoçar descobrimos após entrar, que havia um palco onde atores se apresentavam à noite. (Próximos posts) 
Este aqui me pareceu um pouco mais acanhado mas ainda fez uma alusão velada ao clássico "Imensidão Azul" e, assim como o filme, não deixou nada a desejar, muito pelo contrário.
Em meio a redes, escafandros, máscaras de proa, bóias de pesca e inúmeros outros artigos somos recebidos e encaminhados à nossa mesa.
 Imediatamente serviram-nos o cardápio e logo depois o couvert, composto por pãezinhos caseiros e vinagrete de coentro. 
Já sabia o que queria de entrada: Ostiones (Vieiras).
Só não sabia que iria sofrer pra decidir como ia querê-las. Mas.... como estava em Roma, fiz como os romanos... e lá os romanos vão de "Ostiones al Pil Pil".
E fez-se o pedido.
                                                                              "Ostiones al Pil Pil" - Vieiras confitadas em um azeite picante -e quente- aromatizado com alho.
          Viveria disso! Sem dúvida a melhor pedida da viagem toda.
E pra acompanhar:

 Kunstmann Gran Torobayo

O orgulho da cervejaria local. Fortíssima e encorpada
Intensamente indicada por taxistas.

Cerveja que incluo na categoria de "Cerveja Única"
"Única" não por que é única, mas porque é a única que você vai tomar na noite.
Mas é uma cerveja única, também, na verdade...
Fui claro?

Pois bem...

Entrada devorada, partimos então para o principal.
Mais uma boa dose de sofrimento e paciência da atenciosa garçonete nos leva a um Mix de frutos do mar.

Nada surpreendente. Valeu por provar alguns mariscos que não ocorrem por aqui..

Hors concours da noite, os Ostiones dificultaram o nivelamento e fizeram-me chegar a conclusão de que o melhor seria tê-los repetido três ou quatro vezes em vez dessa montanha de lulas, camarões, vieiras e mariscos diversos.

E à Patroa, um "Bravissimo!!" por mais uma vez acompanhar placidamente mais uma das minhas orgias à mesa.